Relações Públicas ou “morte”!
Nenhuma
empresa entra, se mantém e, tampouco, se desenvolve em
mercado competitivo de sociedade democrática, sem que,
entre outras variáveis, seu produto/serviço seja
conhecido por esse mercado. Todavia, o sucesso de uma empresa
não se limita à comunicação, no sentido
de publicidade de produto/serviço. O êxito organizacional,
algo mais amplo. Passa, necessariamente, por decisões adequadas
e das mesmas, inicialmente, para com os empregados/funcionários
e depois para com todos os públicos, além dos consumidores
e clientes.
Algumas
empresas, mesmo satisfazendo todas as variáveis do marketing,
podem desaparecer ou ter grandes prejuízos em razão
de conflitos com seus públicos. Exemplo a citar: um bar
que, faturando plenamente com a casa cheia, foi fechado por produzir
barulho “excessivo”, importunando a vizinhança,
integrada em uma associação de moradores organizada
e forte. Este bar, ao reabrir, alguns meses após, não
tinha mais freguesia. Esta se dispersara, mudara de hábitos.
Isso ocorre porque a empresa possui inúmeros outros públicos,
além dos clientes, com os quais troca algum bem. Ex.: os
funcionários recebem salários e fornecem sua mão-de-obra;
o governo concede permissão para funcionar e recebe impostos.
A comunidade cede seu espaço e seu ar, recebendo em troca,
os benefícios que a empresa produz em seu todo. Certamente
que àquela não lhe agrada a poluição
do ar pela indústria e o movimento e a sujeira perto de
um super mercado. A organização deve transacionar
com vantagens para si e para os públicos que afetam seus
objetivos. “O bom negócio é o que agrada ambas
as partes”.
A
probabilidade de ocorrência de problemas com os públicos,
bloqueando o processo de intercâmbio, depende das informações
divulgadas do que faz e diz a organização em relação
a expectativas dos mesmos em determinado momento histórico-conjuntural.
Esse agir e dizer se inicia pelas políticas e normas estabelecidas
pelos diretores, gerentes e chefes, se transmite pelo que fazem
e dizem os empregados, pelo que divulgam as notícias e
a publicidade e termina pela satisfação que provoca
a qualidade do produto/serviço. Ex.: Atendimento mal feito
em uma agência bancária pode expulsar clientes. Anúncio
comercial de empresa estatal com monopólio pode gerar má
vontade, pelo menos nos lideres de opinião e depois certamente
nos contribuintes.
As
expectativas dos públicos, a sua vez, correlacionam-se
diretamente com os níveis de informação e
participação na sociedade das pessoas que constituem
os mesmos. Quanto mais politizada uma pessoa, mais exigente será.
A profundidade dos problemas com os públicos depende do
nível de democracia participativa da comunidade, do envolvimento
dos meios de comunicação de massa (com o dever de
oficio de denunciar os deslizes das organizações)
e de uma estrutura judiciária forte e eficaz.
Cada
vez mais a sociedade se organiza. (Veja: as associações,
sindicatos, etc.), os meios de comunicação possuem
liberdade de imprensa e o poder judiciário se flexibiliza.
Certamente, as organizações, além de produzir
bom produto/serviço, terão de apresentar com outros
benefícios sociais.
Assim,
o administrador eficaz, além de se ocupar dos aspectos
mercadológicos, produção, financeiro, potencial
humano, pesquisa e desenvolvimento, estabelece, também,
políticas, normas e programas de Relações
Públicas com seus públicos, por saber que isso facilita
as transações, é anticorpus aos problemas
de relação de poder que surgem, naturalmente, entre
as partes envolvidas e, também, é ponto forte na
competição com os concorrentes.
Outros
artigos desse autor:
As
Babéis modernas ou “O primeiro caso de falta de RRPP"