O que querem e pensam estudantes e empresas sobre a comunicação
organizacional?
Nada
mais apropriado do que tratar da “crise” da profissão
de Relações Públicas numa coluna sobre “Administração
de Crises”. Sim, porque antes de problematizar a gestão
da comunicação organizacional, precisamos compreender
porque o índice drop-out da profissão é
tão alto.
Não
dispomos de dados estatísticos para comprovar a tese, mas,
pela observação do mercado e pelo contingente de
alunos que chegam ao final dos cursos, torna-se forçoso
reconhecer: é alarmante o número de Relações
Públicas que desistem da atividade após o ingresso
no mercado de trabalho ou mesmo durante a experiência acadêmica.
Drop-out
rate, se ainda não ficou claro, é a porcentagem
de estudantes que desiste do curso antes da sua conclusão.
Alguns estudiosos também utilizam a expressão para
designar os desistentes da carreira de um modo geral, formados
ou não. Nos dois casos, é crítica a situação
das RRPP na Bahia. Resta saber por quê.
Nenhum
estudo consistente foi feito até hoje para esmiuçar
a questão, mas alguns aspectos fornecem pistas, quais sejam:
1.
O boom de faculdades particulares, que aumentou consideravelmente
a quantidade de cursos e de novos RPs, mas não recebeu
a devida contrapartida do mercado (o conhecido paradoxo progressão
geométrica X progressão aritmética).
2.
O mal-explicado conceito da profissão, que induz estudantes
a ingressarem nos cursos buscando uma coisa (em geral, promoção
de eventos), quando, na verdade, trata-se de outra (bem mais
complexa e menos glamorosa).
3.
A questionável qualidade do ensino e o desinteresse dos
graduandos, que também apresentam precária formação
cultural.
4.
A retração do mercado na área de comunicação
e o desconhecimento das RRPP e de suas potencialidades por parte
das empresas.
Apontada
as pistas, é preciso aprofundar a discussão. Não
adianta corrigir apressadamente uma ou outra deficiência
e aguardar pelo improvável sucesso. O problema é
conjuntural e todas as variáveis estão interligadas.
Investir isoladamente nos cursos ou em orientação
vocacional não impulsionará o crescimento da atividade.
É preciso buscar as indicações do mercado
e, aí sim, retrabalhar os conceitos da profissão
dentro da sala de aula. O que querem e pensam estudantes e empresas
sobre a comunicação organizacional? Eis um excelente
mote para começar a mudar a realidade das RRPP na Bahia.
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