Página inicial do site Colunas & Colunistas
 
 

Administração de Crises

MÁRCIO MATOS

Graduado em Relações Públicas pela Unifacs, Especialista em Gestão de Crises pela UNEB. Atualmente trabalha na Assessoria de Comunicação dos Correios e Telégrafos de Salvador/BA.

De dentro pra fora

Os públicos de uma empresa são formações heterogêneas, mas seus integrantes costumam se comportar de maneira uniforme. Um paradoxo? Negativo. Apesar de surgirem do agrupamento de tipos culturais variados, os públicos conseguem constituir unidade a partir de algum propósito comum (pessoas em um shopping, por exemplo, enxergam-se na condição de “consumidores”). Compreender a natureza e as nuances dos públicos é tarefa do Relações Públicas. Por outro lado, tratá-los indistintamente como clientes pode resultar em equívoco fatal, sobretudo nas situações de crise.

Diz o manual da organização moderna que ela deve satisfazer as necessidades de seus públicos. Trocando o eufemismo marqueteiro pela realidade, seria o mesmo que afirmar: uma empresa deve “se vender” o tempo todo (institucionalmente para o público interno; comercialmente para o público externo). Essa recomendação contempla o conceito de público-cliente, em geral uma derivação de sentido muito pejorativa (dependência). Até que ponto ela se justifica?

Pensemos numa situação de crise em que os lucros de uma empresa são afetados. Obviamente, o foco da ação organizacional se voltará para o incremento dos negócios. Nessas circunstâncias, o que se deve “vender” ao público interno, ele próprio um coadjuvante da crise, ávido por explicações? Aqui, é bom ter em mente o fato de que pertencer a uma empresa torna o funcionário co-responsável por ela.

Já foi dito que uma organização “se vende” institucionalmente para o seu público interno. A oferta de matéria institucional tem como fim facilitar a decisão de compra do consumidor (os valores subjetivos pesam na hora em que se vai escolher um produto, funcionando, ao lado da variável preço, como fiel da balança). No âmbito interno, por sua vez, a ação institucional busca gerar adesão e comprometimento dos colaboradores. Que comprometimento terá aquele que se vê apenas como mais um cliente da empresa? Esse é, definitivamente, o calcanhar de Aquiles de uma política de “gestão de pessoas”.

Não há problemas para o público externo em se perceber como cliente de uma organização. Desde que não seja lesado em seus direitos de cidadão, essa é uma convenção amplamente aceita pelo freguês. Entretanto, para o público interno, a questão posta não é apenas semântica. Afinal, para “vestir a camisa da empresa”, ele precisa se reconhecer nela. Obviamente, isso exclui a visão paternalista da dependência, em que muitos (força de trabalho/clientes internos) são comandados por poucos (gestores).

O relacionamento interpessoal se reflete no desenvolvimento de uma organização. Portanto, estabelecer uma diferenciação entre “gestores” e “clientes internos” é, dentro dessa lógica, contraproducente. Seria mais ou menos como segregar papéis, dizendo que, na hierarquia empresarial, uns são “melhores” do que outros, embora, como se saiba, as funções sejam complementares.

Não estamos propondo um nivelamento de funções, mas uma crítica ao conceito de cliente interno. Não é possível gerar o comprometimento da base funcional a partir desse arranjo. As peças devem se encadear, formando um todo homogêneo e sistêmico. Analogamente, a unificação do discurso corporativo só acontecerá quando a maioria acreditar naquilo que está sendo dito, donde se conclui que, antes de mais nada, o problema causador da crise precisa ser efetivamente resolvido. É o que poderíamos chamar de adesão colaborativa, o primeiro passo para se reverter - de dentro pra fora - uma situação de crise. Afinal, o que vai bem internamente, acaba repercutindo externamente.


Outros artigos desse autor:

Ouvir, dialogar, somar

Na engrenagem, contra a crise

Do treinamento à aprendizagem

O que querem e pensam estudantes e empresas sobre a comunicação organizacional?

 

Carolina Frazon Terra

Cleuza Gertrudes Gimenes Cesca

Rudimar Baldissera

Claudia Peixoto de Moura

Elísio Lopes Junior

Fábio França

Maria Aparecida Ferrari

Heloiza Matos

João Alberto Ianhêz

Ivone Lourdes Oliveira

Manoel Marcondes Neto

Maria José da Costa Oliveira

Eugênia Rigitano

Roberto Fonseca Vieira

Sidinéia Gomes Freitas

Roberto Porto Simões

Henrique Wendhausen

Wilson da Costa Bueno

 
Portal RP-Bahia RP em Revista Boletim Orgulho de Ser RP RP TV - A primeira TV com conteúdo voltado às Relações Públicas do mundo! A rádio on-line do Portal RP-Bahia O jornal on-line atualizado minuto a minuto Central de relacionamentos Conheça todos os sites do Portal RP-Bahia Seja um colaborador voluntário do Portal RP-Bahia