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Comunicação Empresarial no Brasil

WILSON DA COSTA BUENO

Professor da UMESP e da ECA/USP, editor do Portal da Comunicação Empresarial on line e da revista digital Comunicação & Estratégia. Diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa. Livros recentes publicados: Comunicação Empresarial: teoria e pesquisa (2003) e Comunicação Empresarial no Brasil: uma leitura crítica (2005).

Comunicação Empresarial no Brasil: uma leitura crítica
Wilson da Costa Bueno
São Paulo, Comtexto/ All Print, 2005

Apresentação

Como adquirir

Leia a introdução

Leia o sumário

Resenha


Apresentação

Uma sacudida enorme na Comunicação Empresarial brasileira. Esta é a proposta do novo trabalho do jornalista, professor e pesquisador Wilson da Costa Bueno, que inaugura a Coleção Comtexto de Comunicação.

Respaldada em sua observação crítica da realidade brasileira e, particularmente, na constatação de que há uma lacuna importante na literatura nacional nesta área, Wilson da Costa Bueno preferiu não enveredar pelo caminho do elogio fácil às ações e estratégias postas em prática pelas organizações, optando por identificar os problemas e os desafios a superar.

Literalmente, coloca o dedo na ferida. Discute a falta de democracia na comunicação interna, o uso equivocado de conceitos, como comunicação estratégica, comunicação integrada e responsabilidade social e faz um apelo para um "banho ético" nas empresas e nas agências de comunicação.

Não nega o estágio desenvolvido em que se encontra a Comunicação Empresarial em nosso país, reconhece as honrosas exceções, mas defende a tese de que o desafio maior não é a competência técnica de profissionais e organizações, mas o desvio do foco: a falta de compromisso com a transparência, a ética, a cidadania, na verdadeira acepção do termo.

Condena o caráter cínico da comunicação de empresas e setores (não poupa, especificamente, a indústria tabagista, de bebidas etc) e repudia a tentativa de manipulação da opinião pública. Enfim, devolve o tapa que muitas organizações e agências (de propaganda, de comunicação e assessorias de imprensa) têm dado na "cara" da sociedade.

Uma leitura que, certamente, não pretende a unanimidade; pelo contrário, deseja mesmo provocar o debate, e , diferentemente, do discurso de porta-vozes de empresas (profissionais sem identidade e dignidade), se afirma como uma voz independente, sem rabo preso.

Como prefere repetir o autor, está na hora de acabar com a hipocrisia na Comunicação Empresarial brasileira.

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Como adquirir

Encaminhar nome, endereço e comprovante de depósito no valor de 30 reais para comtexto@comtexto.com.br, indicando no assunto "Livro de Comunicação Empresarial".

O depósito deve ser feito em nome de Comtexto Comunicação e Pesquisa, Banco Itaú, Agência 0399, Conta corrente: 11233-3. O CNPJ da Comtexto é: 52.633.104/0001-37.

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Introdução

A hipocrisia na Comunicação Empresarial brasileira

Quem se dispõe a analisar os discursos e as falas emitidos por importantes executivos de Comunicação Empresarial no Brasil, ou mesmo acompanhar as peças , campanhas ou “releases” das nossas principais organizações, conclui , com facilidade e estupefação, que “as coisas parecem não andar bem por esses lados”. Isso porque há uma completa ruptura entre a teoria e prática.

Organizações que primam pelas hierarquias rígidas, pelo abuso de autoridade de seus chefes e “líderes”, pelo desestímulo à participação interna, pela falta de ética nos negócios e pela tentativa recorrente de manipular a opinião pública ou de desrespeitar os direitos dos cidadãos proclamam, sem qualquer escrúpulo, a sua responsabilidade social. Laboratórios farmacêuticos conceituados, apoiados por agências premiadas, elaboram campanhas enganosas, penalizando o consumidor; empresas multinacionais de prestígio maquilam a embalagem de produtos e zombam da legislação vigente. Empresas privadas e públicas poluem o meio ambiente e contam com o beneplácito e a lentidão da Justiça para nunca ressarcirem a sociedade dos prejuízos causados pela sua incúria. A cínica indústria tabagista vende produtos que matam (e alardeiam esse fato publicamente, com sorriso aberto), ao mesmo tempo em que definem estratégias para incentivar o consumo de cigarro. A indústria de bebidas promove campanhas milionárias, apoiadas na famosa ética do “Zé Pagodinho”, com o mote de “experimenta” e, depois, na surdina, como faz a Ambev, doa bafômetros para a Polícia, visando punir os jovens que acreditaram nas suas mensagens E (incrível, não é mesmo?) são contempladas com prêmios por sua “ação cidadã”, freqüentam as neswletters de institutos de responsabilidade social, o que evidencia a falta de espírito crítico e de compromisso social de entidades da área, organizações e da própria imprensa, quase sempre cúmplice destes esforços não éticos de divulgação.

Um olhar mais atento sobre os “house-organs” escancara o controle interno da informação, o filtro existente nas organizações para privilegiar a “fala do dono”, o estrangulamento do debate e a ausência de pluralidade. Um discurso monocórdico , cansativo, repetitivo e que afronta o jornalismo e a prática da democracia.

As salas de imprensa, com raras exceções, não funcionam, não atendem às expectativas dos jornalistas e se resumem a depósito de “releases” e a apelos publicitários de gosto discutível, como aquele que preconiza “o marketing verde” e o compromisso com a comunidade.

Muitas organizações fazem a apologia das parcerias com as entidades do Terceiro Setor, mas, em muitos casos, apenas apropriam-se de seus trabalhos honestos para aparecerem junto à opinião pública como empresas solidárias. Confundem responsabilidade com marketing social no pior sentido porque, na verdade, empreendem ações oportunistas para conseguir vantagens, como universidades privadas que insistem em usar celebridades (a Uniban precisa explicar direito o que o Pelé tem a ver com educação e responsabilidade social!) e em avacalhar conceitos, que deveriam ser preservados seriamente.

A indústria da comunicação, como a Globo, busca com o merchandising social anular o efeito deletério da exposição de sexo e violência nas telenovelas de grande audiência e séries premiadas e explora (faturando alto) o “voyeurismo” de pessoas comuns no Big Brother Brasil. Ao mesmo tempo, valendo-se do poder econômico , irrigado pelos recursos oriundos da propaganda oficial ( e o PT dizia que iria democratizar o debate!), contribui para a exclusão social, ao endereçar para o “pay per view” espetáculos de grande interesse público, como os principais jogos dos campeonatos estaduais, premiação do Oscar etc. Parodiando uma novela de grande impacto, continua pretendendo ser a “senhora do nosso destino”.

As premiações e eventos da área continuam se caracterizando pelo chamado “nepotismo organizacional”. Diretores das entidades abocanham os principais prêmios de Comunicação Empresarial para suas empresas e os cases apresentados nos congressos permanecem atrelados a organizações influentes, que, muitas vezes, têm muito dinheiro (até para patrocinar os próprios eventos de que participam!) e pouco talento para mostrar. A exaltação do ego é mais importante do que o debate franco de idéias e, com isso, estudantes e jovens profissionais acabam acreditando que o universo da comunicação nas organizações é um mundo “cor-de-rosa”, sem perceber o espaço cinzento que o nubla.

Há uma hipocrisia imensa na Comunicação Empresarial brasileira, mas agências e assessorias, preocupadas em aquinhoar clientes, submetem-se a estas estratégias, buscando manter as suas contas, ainda que estas lhes custem a identidade. Profissionais se curvam a chefes autoritários e a propostas indecorosas para garantirem os seus empregos e repetem discursos vazios (nos quais eles mesmo não acreditam) como porta-vozes sem brilho de uma realidade falsa.

A Comunicação Empresarial brasileira confunde Relações Públicas com o desenvolvimento de estratégias para fazer com que funcionários (hipocritamente tratados como “colaboradores”) “vistam a camisa” ou para “limpar a imagem” das organizações.

A Comunicação Empresarial brasileira insiste em confundir assessoria de imprensa com o jornalismo de redação (que também anda cada vez mais mal das pernas) , enquanto exibem veículos empresariais onde o debate e a divergência são proibidos e todos os temas importantes e polêmicos (os que efetivamente têm caráter jornalístico) são considerados tabus.

A Comunicação Empresarial brasileira apóia-se, prioritariamente, em campanhas publicitárias que não se coadunam com a cultura e a gestão das organizações, buscando mostrar uma face distinta daquela que as empresas efetivamente têm.

A Comunicação Empresarial brasileira pratica o equívoco de analisar a eficácia da comunicação interna (cada vez menos democrática apesar dos discursos em prol da gestão do conhecimento e do capital intelectual) a partir da voz dos gestores da comunicação (os chefes), ao invés de ouvir exatamente os funcionários, que é quem, nesse caso, têm algo concreto para dizer.

A Comunicação Empresarial brasileira é, em geral, asséptica, amorfa e pouco crítica. Está longe de ser integrada ou estratégica (na verdade, a maioria dos executivos nem sabe mesmo o que significam esses termos).

As escolas de Comunicação, a chamada Academia, têm, provavelmente, parcela importante de culpa por esta situação porque respondem, hoje, pela formação do grande contingente de profissionais que atuam nas organizações. Elas reproduzem os equívocos do mercado, porque muitos professores, também pouco críticos, costumam orientar TCCs (trabalhos de conclusão de curso) exaltando os mesmos cases “premiados” e despolitizam o debate sobre Comunicação Empresarial, vista como uma zona neutra, onde o conflito capital x trabalho e os grandes interesses parecem estar ausentes.

Evidentemente, há exceções neste cenário sombrio. Pouco a pouco, profissionais vão descobrindo que existe um descompasso entre a teoria e a prática. Tomam consciência de que os conceitos básicos (comunicação integrada, comunicação estratégica, transparência e ética, responsabilidade social) são muito fluidos e se aplicam a qualquer coisa. Descobrem que muitas entidades se transformaram em redutos de pequenos grupos e de empresas grandes (basta analisar a composição e o tempo que alguns diretores permanecem nos cargos) e que as premiações, apesar dos júris sérios, se endereçam sempre para os mesmos profissionais e organizações (por coincidência, em sua maior parte, dos próprios diretores). Percebem que a estrutura de comunicação continua, com poucas exceções, não tendo poder de decisão nem mesmo em aspectos relativos à comunicação nas organizações e que a censura , a auto-censura e o controle estão presentes para constranger-lhes a liberdade e o exercício profissional.

Algumas organizações (bem poucas, é verdade) já descobriram que a comunicação truncada, controlada, não se afina com os desafios dos novos tempos e que a sociedade (ou pelos menos alguns grupos nela organizados) tenderá a repudiar esta hipocrisia.

A Comunicação Empresarial brasileira reclama um Fórum Social próprio, com pessoas com coragem para denunciar os abusos, as mistificações e a afronta repetida à liberdade de expressão e à cidadania.

Quando os profissionais, os professores , os pesquisadores e, sobretudo os estudantes, efetivamente se derem conta de que não vale a pena apostar neste modelo de Comunicação Empresarial, estaremos prontos para esta ruptura. E , desta vez, diferentemente dos tempos da ditadura, as organizações não poderão chamar a polícia, como faziam antes, para dispersar os manifestantes.

Em nome de um piquete intelectual, de uma postura crítica, de uma experiência de vida, esta obra foi construída. Ela tem o compromisso de colocar o dedo na ferida, de não ser complacente com profissionais ou organizações que estão contribuindo para forjar uma Comunicação Empresarial retrógrada, ultrapassada, que não conduz ao desenvolvimento pessoal e profissional. Ela postula a ética, incentiva o debate e prega o pluralismo. Neste fórum ampliado, precisamos incluir os funcionários, os sindicatos e a sociedade para que exista efetivamente um diálogo.

O monólogo “peleguista” de entidades e organizações está criando uma Comunicação Empresarial sem sabor, autoritária, viciada, doente. Devemos reagir a isso enquanto é tempo. Este é o momento de ruptura. A Comunicação Empresarial brasileira precisa de oxigênio, idéias e profissionais descomprometidos com os velhos paradigmas e interesses. Chega de hipocrisia.

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Sumário

Introdução
A hipocrisia na Comunicação Empresarial brasileira

Comunicação Interna e Cultura Organizacional

A comunicação interna como prática libertadora: revisitando
a pedagogia de Paulo Freire

As empresas precisam ouvir mais a Rádio Peão

Na comunicação interna brasileira, está faltando democracia

House-organ, a cara ( e que cara!) da empresa

Uma cultura de comunicação para a universidade brasileira

O sucesso dos negócios está escrito nos astros?

Leituras recomendadas

Assessoria de imprensa e relacionamento com a mídia

Os desafios e oportunidades da moderna assessoria de imprensa

Os equívocos no relacionamento com a mídia

Publieditorial, a estratégia que afronta a ética

Assessoria de imprensa por cadastro e metro. Uma bobagem de alto risco

A Rede Globo ignora o conceito de fonte

O McDonald´s lançou o jornalismo “bigmac”. Sai pra lá, coisa ruim.

Leituras recomendadas

Comunicação, Estratégia e Inteligência Empresarial

A importância da Comunicação Empresarial para a gestão
do conhecimento

Que comunicação integrada é essa, cara pálida?

A Comunicação Empresarial brasileira é estratégica. Palavra
de Papai Noel.

Comunicação Institucional ou Mercadológica? Traga-me as duas, por favor

As salas de imprensa podem funcionar. Por que não funcionam?

Jornalistas e Relações Públicas: vamos juntar nossos trapos?

Leituras recomendadas

Comunicação, Ética e Responsabilidade Social

Avacalhando o conceito de Responsabilidade Social

A falta de ética na Comunicação Empresarial

Instituto Ethos: dormindo com o inimigo

Merchandising Social: isso realmente funciona?

Marketing alcoólico da Bacardi: um marketing de drogas
ou uma droga de marketing?

A comunicação cínica da indústria tabagista

A comunicação do McDonald´s virou uma salada

A AMBEV patrocina um site sobre álcool e saúde. A Comunicação Empresarial tomou um pileque?

Empresas “meio cidadãs”, a aberração de um conceito

Os eventos de Comunicação Empresarial discriminam os estudantes

Educação, Pelé e Responsabilidade Social: tem gente chutando a bola pra fora

Você é um comunicador responsável?

E-mail para uma jovem comunicadora

Leituras recomendadas

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Resenha

A Comunicação Empresarial, geralmente chamada de organizacional, tem merecido grande atenção por parte das empresas, das universidades e das associações dedicadas ao estudo desse tema. Tornou-se modismo. As associações do setor promovem toda a sorte de cursos, de premiações concedidas aos programas bem-sucedidos de Comunicação e ao uso dos múltiplos instrumentos a ela dedicados. Pesquisas existem, mas são poucas e sem profundidade. Essas mesmas pesquisas nos dão conta de que os empresários não estão satisfeitos com os resultados dessa Comunicação, apesar dos investimentos feitos na sua melhoria e na utilização dos veículos tradicionais e virtuais. Qual seria a razão dessa inquietação dos empresários? Estariam indagando: por que os empregados não se entendem, não estão satisfeitos com o que fazemos, não confiam na empresa e nos seus dirigentes se temos várias publicações e até a intranet a sua disposição?
O livro do professor Dr. Wilson da Costa Bueno tem o mérito de se concentrar nesses problemas e de analisá-los, não sob o ângulo promocional e pouco profissional ao qual nos acostumamos no tratamento da Comunicação Organizacional, mas sob o enfoque de uma visão mais profunda e crítica do fenômeno. Em quatro análises focaliza a Comunicação interna e a cultura organizacional, a assessoria de imprensa e o relacionamento com a mídia, a comunicação como estratégia e inteligência empresarial e, afinal, a comunicação, ética e responsabilidade social.
O estudo do autor é contundente. Aborda o que chama de “hipocrisia imensa na comunicação” e afirma que sua obra “tem o compromisso de colocar o dedo na ferida, de não ser complacente com profissionais ou organizações que estão contribuindo para forjar uma comunicação empresarial retrógrada, ultrapassada, que não conduz ao desenvolvimento pessoal e profissional”. Em sua argumentação na defesa de uma comunicação oxigenada, com novas idéias, geradora de melhores resultados, recorre à “pedagogia da indignação” de Paulo Freire. A linha central do livro pode encontrada na afirmação do autor: “é preciso mudar o perfil atual da comunicação interna para que ela assuma seu caráter libertador”. Como reflexão corajosa sobre a Comunicação Empresarial no Brasil, vale a pena a leitura da obra de Wilson Bueno e a sua utilização para debates honestos dos seus temas pelos profissionais da comunicação, de qualquer habilitação, e pelos professores das faculdades e das associações dedicadas à promoção da comunicação organizacional.

Fonte: Agência Experimental de Relações Públicas da UMESP

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Conheça vários artigos desse autor:

Os “muitos públicos” da comunicação interna

Sua organização tem medo da Rádio Peão? Não devia.

A importância de uma cultura de comunicação

Afinal de contas, o que é um house-organ?

O papel da Intranet na comunicação interna

Você conhece os botos organizacionais?

 

Carolina Frazon Terra

Cleuza Gertrudes Gimenes Cesca

Rudimar Baldissera

Claudia Peixoto de Moura

Elísio Lopes Junior

Fábio França

Maria Aparecida Ferrari

Heloiza Matos

João Alberto Ianhêz

Ivone Lourdes Oliveira

Márcio Matos

Manoel Marcondes Neto

Maria José da Costa Oliveira

Eugênia Rigitano

Roberto Fonseca Vieira

Sidinéia Gomes Freitas

Roberto Porto Simões

Henrique Wendhausen

 
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