Comunicação debate os padrões de qualidade
para o ensino
A
luta pela melhoria da qualidade de ensino em Comunicação
começou em 1981, com o EMDECOM – Movimento em Defesa
dos Cursos de Comunicação. Conforme José
Marques de Melo, na obra Comunicação: teoria e política,
editada pela Summus, em 1985, o EMDOCOM congregou a comunidade
acadêmica e profissional, “para evitar que, através
de uma manobra pouco sutil, o Conselho Federal de Educação
viesse, senão a fechar ostensivamente, pelo menos desestabilizar
os cursos existentes no país”( p.97).
Após
vários anos e diversos acontecimentos, ocorreu o “II
Congresso Brasileiro dos Estudantes de Comunicação
Social – COBRECOS”, em São Paulo, dando início
a uma Campanha Nacional pela Qualidade dos Cursos de Comunicação,
em 1995. No mesmo ano foi realizado, em Brasília, o “I
Seminário Nacional pela Qualidade de Ensino em Comunicação”,
promovido em parceria com entidades representativas da área,
ampliando assim o debate da reunião inaugural.
A
constituição do Movimento Nacional pela Qualidade
de Ensino em Comunicação foi resultado da união
de interesses de várias entidades: Executiva Nacional dos
Estudantes de Comunicação Social – ENECOS,
Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ,
Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
– INTERCOM, Associação Nacional de Programas
de Pós-Graduação em Comunicação
– COMPÓS, Associação Brasileira de
Escolas de Comunicação Social – ABECOM, União
Cristã Brasileira de Comunicação –
UCBC, Federação Interestadual dos Trabalhadores
em Empresas de Rádio e Televisão – FITTERT,
com a preocupação em estabelecer Parâmetros
de Qualidade de Ensino em Comunicação.
O
“Congresso Nacional Extraordinário dos Jornalistas”,
ocorrido em Vila Velha (ES), em 1997, discutiu a “Formação
Profissional e Qualidade de Ensino em Comunicação”,
que resultou numa proposta de Bases para a Formulação
do “Programa Nacional de Estímulo à Qualidade
da Formação Profissional dos Jornalistas”.
Um ano depois, a temática foi retomada no “28º
Congresso Nacional dos Jornalistas”, no Rio de Janeiro.
Ainda em 1998, aconteceu o “II Seminário Nacional
sobre Qualidade de Ensino em Comunicação”,
em São Paulo, e o “Fórum do Movimento pela
Qualidade do Ensino – Encontro Nacional dos Representantes
de Entidades de Comunicação (INTERCOM, ABECOM, ENECOS,
COMPÓS, FENAJ, UCBC)”, em Recife (PE), durante o
XXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação,
promovido pela INTERCOM.
Todos
estes eventos geraram documentos que influenciaram as diretrizes
curriculares da área de Comunicação Social,
homologadas pelo MEC, em 2002. Porém, a preocupação
com a qualidade de ensino continua e foi debatida novamente na
capital paulista, em 2006, no “Fórum Nacional em
Defesa da Qualidade do Ensino de Comunicação - ENDECOM”.
Em sua programação foram expostos os seguintes assuntos:
Ensino de qualidade para todos: a batalha do novo século,
na conferência inaugural, mais quatro painéis abordando
Qualidade no ensino superior: estratégias de avaliação;
Mercado de trabalho de comunicação: profissionais
demandados pelas empresas, órgãos públicos
e setor terciário; Padrões de qualidade para o ensino
de Comunicação: diretrizes oficiais e propostas
da comunidade acadêmica; além de mesas temáticas
e grupos de discussão. Algumas considerações
sobre o evento merecem registro.
Parece
que há um consenso entre as opiniões de vários
expositores. A bagagem cultural e a formação qualificada,
genérica dos egressos fazem a diferença. A semelhança
está no treinamento em atividades profissionais, que habilitam
o egresso em práticas exercidas nas empresas. A universidade
não deve ser um centro de adestramento, e sim ser útil
para a sociedade se repensar mediante um currículo com
conhecimentos complexos. Poderia propor modelos para o mercado,
sendo referência para suas ações. As atividades
acadêmicas são voltadas para a pesquisa, para descobertas.
Uma questão relevante é identificar qual a interferência
do ensino da Comunicação na sociedade. Para isso,
há desafios específicos em relação
à formação na área.
Uma
boa formação envolve criatividade, conceituações,
idiomas, redação, atitude empreendedora, entre outras
características. Existe a necessidade de um profissional
de Comunicação com uma formação ampla,
pois o perfil ideal do egresso não será satisfeito
somente nas atividades do mercado. Na verdade, o mercado não
deve traçar perfis profissionais, mas auxiliar a universidade
a pensar sobre a formação acadêmica na área.
Não há necessidade de novas habilitações,
e sim ampliar o debate sobre as atividades da Comunicação
e ultrapassar as fronteiras do corporativismo das profissões,
O mercado e as profissões estão em mutação.
O
ensino da graduação reflete a qualidade dos cursos
de Pós-Graduação, cuja avaliação
envolve critérios diversos e rígidos, tais como
a produção científica que pode estabelecer
a maturidade acadêmica da instituição. Já
a avaliação dos cursos de graduação
não é estabelecida com o mesmo rigor, pois os critérios
são mais subjetivos. A formação acadêmica
engloba ensino e pesquisa, cujo legado está relacionado
à produção científica em Comunicação
Social. Grande parte da bibliografia da área está
focada nas questões técnicas, apresentadas em várias
funções profissionais, sendo necessário trabalhar
mais a teoria que possibilita uma reflexão.
A
formação humanística permite entender a complexidade
da sociedade contemporânea. Normalmente, ocorre uma discussão
dos projetos desenvolvidos e não dos processos de Comunicação.
Também, o fato dos docentes de disciplinas teóricas
e práticas não se relacionarem é um aspecto
negativo. Uma discussão precisa ocorrer entre as áreas
da comunicação, no sentido de refletir a respeito
das atividades acadêmicas e profissionais. Uma avaliação
dos conteúdos ministrados nos cursos, e de sua atualidade,
assim como as interfaces das áreas da Comunicação
poderiam ser focadas em debates institucionais.
É
importante registrar que o estabelecimento dos indicadores de
desempenho e dos padrões de qualidade deve ser uma responsabilidade
da própria área da Comunicação, através
de seus representantes. Igualmente, as instituições
de ensino precisam estabelecer os seus indicadores e padrões,
construindo sua identidade, a partir das condições
reais e com equipes multidisciplinares. Considerando que uma formação
acadêmica baseada apenas nas práticas profissionais
é carente de conteúdo, a teoria se apresenta como
uma possibilidade de garantir a produção do conhecimento
científico em Comunicação Social.
Para
finalizar, os cursos precisam construir sentidos para as Relações
Públicas, além de uma visão mecanicista.
Também devem abordar as diferenças entre as Relações
Públicas e a Comunicação Organizacional.
Outra questão emergente é a Comunicação
Pública, apontada por vários expositores como uma
área relevante na atualidade. Assim, o ensino de qualidade
e a pesquisa produzindo conhecimento podem formar profissionais
capazes de interferir na sociedade.
Outros
artigos dessa autora:
A
preocupação dos pesquisadores com o ensino em Relações
Públicas
As
antigas e as novas diretrizes para o Ensino de Relações
Públicas
Um
resumo da legislação de Relações Públicas:
quatro décadas de regulamentação profissional