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Ensino de Relações Públicas

CLÁUDIA PEIXOTO DE MOURA

Bacharel em Publicidade e Propaganda (1979), em Jornalismo (1980), e em Relações Públicas (1984), pela PUCRS. Especialista em Administração em Publicidade e Propaganda (1981), em Estilo Jornalístico (1982), e em Administração em Relações Públicas (1986), pela FAMECOS/PUCRS. Mestre em Sociologia, na área da Sociedade Industrial (1991), pela PUCRS; e Doutora em Ciências da Comunicação, na área de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (2000), pela ECA/USP. Professora (DE) do curso de Graduação e de Pós-Graduação em Comunicação Social. Atualmente, é coordenadora do Departamento Ciências da Comunicação, da FAMECOS/PUCRS.

Comunicação debate os padrões de qualidade para o ensino

A luta pela melhoria da qualidade de ensino em Comunicação começou em 1981, com o EMDECOM – Movimento em Defesa dos Cursos de Comunicação. Conforme José Marques de Melo, na obra Comunicação: teoria e política, editada pela Summus, em 1985, o EMDOCOM congregou a comunidade acadêmica e profissional, “para evitar que, através de uma manobra pouco sutil, o Conselho Federal de Educação viesse, senão a fechar ostensivamente, pelo menos desestabilizar os cursos existentes no país”( p.97).

Após vários anos e diversos acontecimentos, ocorreu o “II Congresso Brasileiro dos Estudantes de Comunicação Social – COBRECOS”, em São Paulo, dando início a uma Campanha Nacional pela Qualidade dos Cursos de Comunicação, em 1995. No mesmo ano foi realizado, em Brasília, o “I Seminário Nacional pela Qualidade de Ensino em Comunicação”, promovido em parceria com entidades representativas da área, ampliando assim o debate da reunião inaugural.

A constituição do Movimento Nacional pela Qualidade de Ensino em Comunicação foi resultado da união de interesses de várias entidades: Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social – ENECOS, Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ, Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – INTERCOM, Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação – COMPÓS, Associação Brasileira de Escolas de Comunicação Social – ABECOM, União Cristã Brasileira de Comunicação – UCBC, Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Rádio e Televisão – FITTERT, com a preocupação em estabelecer Parâmetros de Qualidade de Ensino em Comunicação.

O “Congresso Nacional Extraordinário dos Jornalistas”, ocorrido em Vila Velha (ES), em 1997, discutiu a “Formação Profissional e Qualidade de Ensino em Comunicação”, que resultou numa proposta de Bases para a Formulação do “Programa Nacional de Estímulo à Qualidade da Formação Profissional dos Jornalistas”. Um ano depois, a temática foi retomada no “28º Congresso Nacional dos Jornalistas”, no Rio de Janeiro. Ainda em 1998, aconteceu o “II Seminário Nacional sobre Qualidade de Ensino em Comunicação”, em São Paulo, e o “Fórum do Movimento pela Qualidade do Ensino – Encontro Nacional dos Representantes de Entidades de Comunicação (INTERCOM, ABECOM, ENECOS, COMPÓS, FENAJ, UCBC)”, em Recife (PE), durante o XXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, promovido pela INTERCOM.

Todos estes eventos geraram documentos que influenciaram as diretrizes curriculares da área de Comunicação Social, homologadas pelo MEC, em 2002. Porém, a preocupação com a qualidade de ensino continua e foi debatida novamente na capital paulista, em 2006, no “Fórum Nacional em Defesa da Qualidade do Ensino de Comunicação - ENDECOM”. Em sua programação foram expostos os seguintes assuntos: Ensino de qualidade para todos: a batalha do novo século, na conferência inaugural, mais quatro painéis abordando Qualidade no ensino superior: estratégias de avaliação; Mercado de trabalho de comunicação: profissionais demandados pelas empresas, órgãos públicos e setor terciário; Padrões de qualidade para o ensino de Comunicação: diretrizes oficiais e propostas da comunidade acadêmica; além de mesas temáticas e grupos de discussão. Algumas considerações sobre o evento merecem registro.

Parece que há um consenso entre as opiniões de vários expositores. A bagagem cultural e a formação qualificada, genérica dos egressos fazem a diferença. A semelhança está no treinamento em atividades profissionais, que habilitam o egresso em práticas exercidas nas empresas. A universidade não deve ser um centro de adestramento, e sim ser útil para a sociedade se repensar mediante um currículo com conhecimentos complexos. Poderia propor modelos para o mercado, sendo referência para suas ações. As atividades acadêmicas são voltadas para a pesquisa, para descobertas. Uma questão relevante é identificar qual a interferência do ensino da Comunicação na sociedade. Para isso, há desafios específicos em relação à formação na área.

Uma boa formação envolve criatividade, conceituações, idiomas, redação, atitude empreendedora, entre outras características. Existe a necessidade de um profissional de Comunicação com uma formação ampla, pois o perfil ideal do egresso não será satisfeito somente nas atividades do mercado. Na verdade, o mercado não deve traçar perfis profissionais, mas auxiliar a universidade a pensar sobre a formação acadêmica na área. Não há necessidade de novas habilitações, e sim ampliar o debate sobre as atividades da Comunicação e ultrapassar as fronteiras do corporativismo das profissões, O mercado e as profissões estão em mutação.

O ensino da graduação reflete a qualidade dos cursos de Pós-Graduação, cuja avaliação envolve critérios diversos e rígidos, tais como a produção científica que pode estabelecer a maturidade acadêmica da instituição. Já a avaliação dos cursos de graduação não é estabelecida com o mesmo rigor, pois os critérios são mais subjetivos. A formação acadêmica engloba ensino e pesquisa, cujo legado está relacionado à produção científica em Comunicação Social. Grande parte da bibliografia da área está focada nas questões técnicas, apresentadas em várias funções profissionais, sendo necessário trabalhar mais a teoria que possibilita uma reflexão.

A formação humanística permite entender a complexidade da sociedade contemporânea. Normalmente, ocorre uma discussão dos projetos desenvolvidos e não dos processos de Comunicação. Também, o fato dos docentes de disciplinas teóricas e práticas não se relacionarem é um aspecto negativo. Uma discussão precisa ocorrer entre as áreas da comunicação, no sentido de refletir a respeito das atividades acadêmicas e profissionais. Uma avaliação dos conteúdos ministrados nos cursos, e de sua atualidade, assim como as interfaces das áreas da Comunicação poderiam ser focadas em debates institucionais.

É importante registrar que o estabelecimento dos indicadores de desempenho e dos padrões de qualidade deve ser uma responsabilidade da própria área da Comunicação, através de seus representantes. Igualmente, as instituições de ensino precisam estabelecer os seus indicadores e padrões, construindo sua identidade, a partir das condições reais e com equipes multidisciplinares. Considerando que uma formação acadêmica baseada apenas nas práticas profissionais é carente de conteúdo, a teoria se apresenta como uma possibilidade de garantir a produção do conhecimento científico em Comunicação Social.

Para finalizar, os cursos precisam construir sentidos para as Relações Públicas, além de uma visão mecanicista. Também devem abordar as diferenças entre as Relações Públicas e a Comunicação Organizacional. Outra questão emergente é a Comunicação Pública, apontada por vários expositores como uma área relevante na atualidade. Assim, o ensino de qualidade e a pesquisa produzindo conhecimento podem formar profissionais capazes de interferir na sociedade.


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