As antigas e as novas diretrizes para o Ensino de Relações
Públicas
No
texto anterior, apresentei a situação do ensino
de Relações Públicas com base nos trabalhos
desenvolvidos a partir de 2000, em encontros de pesquisadores
da INTERCOM e da REDE ALCAR. Um ponto polêmico da referida
situação é a questão curricular, que
enfocarei neste texto.
Desde
1962, o ensino de Comunicação Social, em nível
de graduação, foi regido por um currículo
mínimo homologado pelo Ministério de Educação
– MEC. No caso específico de Relações
Públicas, as normas foram estabelecidas em 1969, com a
inclusão da habilitação. Portanto, há
mais de três décadas, a graduação determina
as características dos profissionais de acordo com o currículo
implantado na época de realização do curso.
O Parecer nº 480/83, do CFE, explicitou diretrizes para a
elaboração do currículo, sendo que a Resolução
nº 02/84, do CFE, fixou o último currículo
mínimo do Curso de Comunicação Social, onde
se encontra a área de Relações Públicas.
Somente em 2001, o Parecer nº 492, do Conselho Nacional de
Educação/MEC, aprovou as Diretrizes Curriculares
da Área de Comunicação Social e suas Habilitações,
que foram homologadas pela Resolução nº 16,
do CNE, em 2002.
As
Diretrizes Curriculares orientam a elaboração dos
projetos pedagógicos, com conteúdos abrangentes,
conhecimentos específicos e de áreas afins. Possibilitam
a relação entre áreas de organização
do saber, visando o perfil do egresso a atingir, com as habilidades
e competências a desenvolver, previamente definidas pela
instituição de ensino. O currículo é
composto por uma estrutura com um núcleo específico,
garantindo a identidade do curso. A estrutura deve ser flexível,
permitindo uma diversificação na formação
do aluno e uma integração entre teoria e prática,
pesquisa básica e aplicada. A construção
do currículo será diferenciada nas escolas, porém
os conteúdos inerentes às atividades profissionais
deverão ser abordados, explicitando o ser e o fazer da
profissão de Relações Públicas.
Porém,
a preocupação com um ensino adequado está
registrada em sua história, na medida em que retomamos
um trecho do Parecer nº 480/83 (sub-item 2.3.2) e identificamos
as seguintes diretrizes: “incorporar as três áreas
de conhecimento necessárias à formação:
Ciências Sociais, Ciências da Comunicação
e da Linguagem e Filosofia e Arte”;... “respeitar
o princípio de flexibilidade do ensino”;... “ampliar,
fortalecer e especificar as matérias técnico-laboratoriais,
com objetivo de reforçar as atividades de caráter
prático, entendendo como tal não a prática
meramente imitativa, mas a prática acompanhada da reflexão
crítica sobre seu significado”;... “recomendar
aos cursos que organizem as atividades em torno de projetos, a
fim de permitir a integração curricular horizontal
e vertical e de se evitar a fragmentação do ensino”;...
“recomendar o rompimento da tendência à divisão
rígida entre matérias teóricas e práticas”;...
“exigir que os cursos se equipem da maneira mais completa
possível”;... “incorporar ao currículo
novas matérias decorrentes do desenvolvimento de novas
áreas dentro da Comunicação”;... “recomendar
a articulação de uma relação orgânica
entre ensino, pesquisa e extensão”;... “fortalecer
o ensino de Redação em Língua Portuguesa”.
Estas
diretrizes foram estabelecidas há mais de 20 anos, para
uma formação adequada nas habilitações
da Comunicação Social. Desconsiderando o aspecto
da obrigatoriedade inerente à Resolução de
1984, podemos afirmar que as diretrizes constantes no parecer
estão em sintonia com a atualidade. Uma comparação
pode ser realizada nos seguintes termos: as diretrizes de 1984
e de 2001 indicam áreas do conhecimento e não disciplinas
para a composição curricular. A questão da
flexibilidade para o ensino está registrada nos dois momentos.
A referência a matérias técnico-laboratoriais
para atividades práticas, com reflexão crítica,
ocorre em ambos os documentos. A organização de
projetos de curso para integrar o currículo de forma horizontal
e vertical é sugerida, com o intuito de evitar uma divisão
equivocada entre teoria e prática. Além disso, os
dois documentos apontam a necessidade de equipamentos para os
cursos e de incorporação de novas matérias
para um currículo em constante transformação.
Os documentos oficiais também salientam a importância
dos conteúdos redacionais para a formação,
e registram a vinculação entre ensino, pesquisa
e extensão.
Evidentemente,
as novas diretrizes possuem características sintonizadas
às questões atuais, mas no início dos anos
80 havia uma abertura e um foco na qualidade do ensino praticado
na área da Comunicação Social. Entretanto,
nestes 20 anos, o que aconteceu nos Cursos com a habilitação
em Relações Públicas?
As
instituições de ensino adotaram o elenco de matérias
indicadas na Resolução de 84 como disciplinas pré-estabelecidas
para o curso. Algumas atividades práticas foram realizadas
com reflexão crítica, dependendo de seus ministrantes.
Os projetos acadêmicos foram organizados com um currículo
horizontal, dividindo o curso em disciplinas teóricas oferecidas
nos primeiros anos e disciplinas técnicas ofertadas nos
últimos semestres. Um currículo vertical, com teoria
e técnica ocorrendo simultaneamente, é o plano atual,
embora houvesse anteriormente a possibilidade de uma construção
com esta estrutura.
O
currículo necessita estar sempre em movimento, para dar
conta das constantes transformações sociais. Por
isso, é importante a inclusão de novas disciplinas
para atualizar o projeto do curso. Há anos, algumas instituições
de ensino permitem que seus alunos freqüentem disciplinas
de outros cursos, o que caracteriza uma formação
mais personalizada na medida em que os interesses dos estudantes
são atendidos.
E
que tipo de formação é adequada às
Relações Públicas?
O
currículo precisa ser estruturado a partir de um núcleo
específico, que irá garantir a identidade do curso.
Os projetos pedagógicos têm por base as conexões
entre os conteúdos abrangentes, vinculados tanto à
Comunicação Social como às Relações
Públicas, e os conhecimentos específicos da área
profissional. O curso necessita ser organizado, tendo como foco
o perfil do egresso, bem como suas habilidades e competências
a desenvolver ao longo de sua trajetória acadêmica.
Então, o ser e o fazer profissional vão garantir
uma formação na área, que será diferenciada
se houver um planejamento em consonância à política
da instituição de ensino. As antigas e novas diretrizes
estarão adequadas quando os saberes forem organizados e
calcados na pesquisa acadêmica para estimular a reflexão
e aprimorar o projeto do curso. Isto porque a pesquisa científica
possibilita mudanças no desempenho dos egressos da graduação,
resultando em uma melhoria do profissional de Relações
Públicas em todos aspectos.
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artigos dessa autora:
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