Página inicial do site Colunas & Colunistas
 
 

Ensino de Relações Públicas

CLÁUDIA PEIXOTO DE MOURA

Bacharel em Publicidade e Propaganda (1979), em Jornalismo (1980), e em Relações Públicas (1984), pela PUCRS. Especialista em Administração em Publicidade e Propaganda (1981), em Estilo Jornalístico (1982), e em Administração em Relações Públicas (1986), pela FAMECOS/PUCRS. Mestre em Sociologia, na área da Sociedade Industrial (1991), pela PUCRS; e Doutora em Ciências da Comunicação, na área de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (2000), pela ECA/USP. Professora (DE) do curso de Graduação e de Pós-Graduação em Comunicação Social. Atualmente, é coordenadora do Departamento Ciências da Comunicação, da FAMECOS/PUCRS.

As antigas e as novas diretrizes para o Ensino de Relações Públicas

No texto anterior, apresentei a situação do ensino de Relações Públicas com base nos trabalhos desenvolvidos a partir de 2000, em encontros de pesquisadores da INTERCOM e da REDE ALCAR. Um ponto polêmico da referida situação é a questão curricular, que enfocarei neste texto.

Desde 1962, o ensino de Comunicação Social, em nível de graduação, foi regido por um currículo mínimo homologado pelo Ministério de Educação – MEC. No caso específico de Relações Públicas, as normas foram estabelecidas em 1969, com a inclusão da habilitação. Portanto, há mais de três décadas, a graduação determina as características dos profissionais de acordo com o currículo implantado na época de realização do curso. O Parecer nº 480/83, do CFE, explicitou diretrizes para a elaboração do currículo, sendo que a Resolução nº 02/84, do CFE, fixou o último currículo mínimo do Curso de Comunicação Social, onde se encontra a área de Relações Públicas. Somente em 2001, o Parecer nº 492, do Conselho Nacional de Educação/MEC, aprovou as Diretrizes Curriculares da Área de Comunicação Social e suas Habilitações, que foram homologadas pela Resolução nº 16, do CNE, em 2002.

As Diretrizes Curriculares orientam a elaboração dos projetos pedagógicos, com conteúdos abrangentes, conhecimentos específicos e de áreas afins. Possibilitam a relação entre áreas de organização do saber, visando o perfil do egresso a atingir, com as habilidades e competências a desenvolver, previamente definidas pela instituição de ensino. O currículo é composto por uma estrutura com um núcleo específico, garantindo a identidade do curso. A estrutura deve ser flexível, permitindo uma diversificação na formação do aluno e uma integração entre teoria e prática, pesquisa básica e aplicada. A construção do currículo será diferenciada nas escolas, porém os conteúdos inerentes às atividades profissionais deverão ser abordados, explicitando o ser e o fazer da profissão de Relações Públicas.

Porém, a preocupação com um ensino adequado está registrada em sua história, na medida em que retomamos um trecho do Parecer nº 480/83 (sub-item 2.3.2) e identificamos as seguintes diretrizes: “incorporar as três áreas de conhecimento necessárias à formação: Ciências Sociais, Ciências da Comunicação e da Linguagem e Filosofia e Arte”;... “respeitar o princípio de flexibilidade do ensino”;... “ampliar, fortalecer e especificar as matérias técnico-laboratoriais, com objetivo de reforçar as atividades de caráter prático, entendendo como tal não a prática meramente imitativa, mas a prática acompanhada da reflexão crítica sobre seu significado”;... “recomendar aos cursos que organizem as atividades em torno de projetos, a fim de permitir a integração curricular horizontal e vertical e de se evitar a fragmentação do ensino”;... “recomendar o rompimento da tendência à divisão rígida entre matérias teóricas e práticas”;... “exigir que os cursos se equipem da maneira mais completa possível”;... “incorporar ao currículo novas matérias decorrentes do desenvolvimento de novas áreas dentro da Comunicação”;... “recomendar a articulação de uma relação orgânica entre ensino, pesquisa e extensão”;... “fortalecer o ensino de Redação em Língua Portuguesa”.

Estas diretrizes foram estabelecidas há mais de 20 anos, para uma formação adequada nas habilitações da Comunicação Social. Desconsiderando o aspecto da obrigatoriedade inerente à Resolução de 1984, podemos afirmar que as diretrizes constantes no parecer estão em sintonia com a atualidade. Uma comparação pode ser realizada nos seguintes termos: as diretrizes de 1984 e de 2001 indicam áreas do conhecimento e não disciplinas para a composição curricular. A questão da flexibilidade para o ensino está registrada nos dois momentos. A referência a matérias técnico-laboratoriais para atividades práticas, com reflexão crítica, ocorre em ambos os documentos. A organização de projetos de curso para integrar o currículo de forma horizontal e vertical é sugerida, com o intuito de evitar uma divisão equivocada entre teoria e prática. Além disso, os dois documentos apontam a necessidade de equipamentos para os cursos e de incorporação de novas matérias para um currículo em constante transformação. Os documentos oficiais também salientam a importância dos conteúdos redacionais para a formação, e registram a vinculação entre ensino, pesquisa e extensão.

Evidentemente, as novas diretrizes possuem características sintonizadas às questões atuais, mas no início dos anos 80 havia uma abertura e um foco na qualidade do ensino praticado na área da Comunicação Social. Entretanto, nestes 20 anos, o que aconteceu nos Cursos com a habilitação em Relações Públicas?

As instituições de ensino adotaram o elenco de matérias indicadas na Resolução de 84 como disciplinas pré-estabelecidas para o curso. Algumas atividades práticas foram realizadas com reflexão crítica, dependendo de seus ministrantes. Os projetos acadêmicos foram organizados com um currículo horizontal, dividindo o curso em disciplinas teóricas oferecidas nos primeiros anos e disciplinas técnicas ofertadas nos últimos semestres. Um currículo vertical, com teoria e técnica ocorrendo simultaneamente, é o plano atual, embora houvesse anteriormente a possibilidade de uma construção com esta estrutura.

O currículo necessita estar sempre em movimento, para dar conta das constantes transformações sociais. Por isso, é importante a inclusão de novas disciplinas para atualizar o projeto do curso. Há anos, algumas instituições de ensino permitem que seus alunos freqüentem disciplinas de outros cursos, o que caracteriza uma formação mais personalizada na medida em que os interesses dos estudantes são atendidos.

E que tipo de formação é adequada às Relações Públicas?

O currículo precisa ser estruturado a partir de um núcleo específico, que irá garantir a identidade do curso. Os projetos pedagógicos têm por base as conexões entre os conteúdos abrangentes, vinculados tanto à Comunicação Social como às Relações Públicas, e os conhecimentos específicos da área profissional. O curso necessita ser organizado, tendo como foco o perfil do egresso, bem como suas habilidades e competências a desenvolver ao longo de sua trajetória acadêmica. Então, o ser e o fazer profissional vão garantir uma formação na área, que será diferenciada se houver um planejamento em consonância à política da instituição de ensino. As antigas e novas diretrizes estarão adequadas quando os saberes forem organizados e calcados na pesquisa acadêmica para estimular a reflexão e aprimorar o projeto do curso. Isto porque a pesquisa científica possibilita mudanças no desempenho dos egressos da graduação, resultando em uma melhoria do profissional de Relações Públicas em todos aspectos.


Outros artigos dessa autora:

A preocupação dos pesquisadores com o ensino em Relações Públicas

Comunicação debate os padrões de qualidade para o ensino

Um resumo da legislação de Relações Públicas: quatro décadas de regulamentação profissional

 

Carolina Frazon Terra

Cleuza Gertrudes Gimenes Cesca

Rudimar Baldissera

Elísio Lopes Junior

Fábio França

Maria Aparecida Ferrari

Heloiza Matos

João Alberto Ianhêz

Ivone Lourdes Oliveira

Márcio Matos

Manoel Marcondes Neto

Maria José da Costa Oliveira

Eugênia Rigitano

Roberto Fonseca Vieira

Sidinéia Gomes Freitas

Roberto Porto Simões

Henrique Wendhausen

Wilson da Costa Bueno

 
Portal RP-Bahia RP em Revista Boletim Orgulho de Ser RP RP TV - A primeira TV com conteúdo voltado às Relações Públicas do mundo! A rádio on-line do Portal RP-Bahia O jornal on-line atualizado minuto a minuto Central de relacionamentos Conheça todos os sites do Portal RP-Bahia Seja um colaborador voluntário do Portal RP-Bahia